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O tema de capa da edição de julho de 2013 da Adventist Review é sobre Gabrielle Weidner. O seu irmão, John Weidner, tornou-se um herói da Segunda Guerra Mundial ao salvar muitos judeus de uma morte certa e ao criar percursos de fuga para os aviadores aliados abatidos e para outras pessoas em perigo de morte devido à sua raça ou religião. Esses percursos ficaram conhecidos como Dutch-Paris, uma rede subterrânea que se revelou muito funcional.

 

Após efetuar uma pesquisa diligente, a autora do artigo, Wilona Karimabadi, narrou pormenorizadamente a história comovente de Gabrielle, concentrando-se no último ano da sua vida. Gabrielle estava de certo modo ligada à Dutch-Paris, embora não se conheça exatamente que função terá desempenhado. Sobre isto Karimabadi escreve o seguinte: De acordo com alguns relatos, Gabrielle “exerceu a função de correio – transmitindo as mensagens de John a outras pessoas que integravam a rede”. Durante este tempo, ocupou também o cargo de secretária na Associação do Norte da França, sediada em Paris, onde vivia.

Em fevereiro de 1944, a polícia francesa entregou à Gestapo uma jovem que pertencia à Dutch-Paris. Infringindo as regras rígidas da rede, transportava uma agenda com nomes e moradas de vários membros da Dutch-Paris. Submetida a tortura insuportável, a jovem revelou muita informação, que levou à prisão de um grande número de membros da rede. Gabrielle foi presa no último Sábado desse mês, quando se encontrava na igreja.

Foi mantida numa prisão em França até ser transferida para Romainville por volta do dia 14 de agosto. Uma vez que estava iminente a Liberação de Paris, existia a esperança de que Gabrielle seria libertada em breve. Contudo, a sua odisseia agravou-se de forma dramática. Juntamente com muitos outros prisioneiros, Gabrielle foi deportada para um campo de concentração na Alemanha, num comboio de gado, geralmente escolhido para esse objetivo. Tiraram-lhe as roupas, os sapatos e o cobertor e entregaram-lhe uma camisa e um vestido que não a protegeram do frio. Além disso, a comida era miserável. No final de outubro, foi transferida para aquele que viria a ser o seu último campo de concentração, em KÖnigsberg. No dia 8 de novembro foi levada definitivamente para a enfermaria devido ao seu débil estado de saúde.

Apesar do seu sofrimento, Gabrielle encorajava os seus companheiros através da sua paciência, da sua capacidade de não se queixar, dos seus sorrisos meigos e da sua fé indiscutível. No início de fevereiro de 1945, com a aproximação das tropas russas, existia a esperança de qua a liberdade era iminente. Os guardas prisionais fugiram, mas as SS que estavam em retirada massacraram a maioria dos deportados e colocaram fogo ao edifício onde Gabrielle e os outros prisioneiros doentes tinham sido abandonados.

Gabrielle foi a última pessoa a ser resgatada por uma jovem amiga chegada, mas foi demasiado tarde. Pouco tempo depois, possivelmente no dia 13 de fevereiro, Gabrielle faleceu nos braços da sua amiga. Foi das poucas pessoas aprisionadas em campos de concentração a ter o privilégio de ser enterrada, mas perdeu-se o rasto da sua sepultura.

Não obstante, Gabrielle é recordada numa lápide assente no jazigo da família Weidner, localizado no cemitério de Gland, na Suiça. O seu nome está gravado por baixo do nome de seu pai, bem como as datas principais e os medalhões dos respetivos. Na parte de baixo da lápide lê-se o seguinte versículo do seu Salvador: “Não há maior amor do que dar a vida por aqueles a quem se ama” (João 15:13, BPT).

Este ano realizaram-se muitas celebrações que assinalam os 100 anos do início da Grande Guerra e os 70 anos da maior parte das batalhas da Segunda Guerra Mundial, cujas comemorações continuarão no próximo ano até que se completem os 70 anos do fim desta guerra. Estas constituem uma tradição normal na História das nações.

No entanto, o modesto exemplo de sacrifício de Gabrielle, que fielmente seguiu o seu Mestre ao demonstrar um cristianismo coerente independentemente do que acontecesse, merece não só ser recordado como também reconhecido, enquanto símbolo dos heróis desconhecidos destes terríveis acontecimentos históricos. No passado dia 17 de agosto, celebrou-se o centenário de Gabrielle e o septuagésimo aniversário da sua morte realizar-se-á no mês de fevereiro do próximo ano.

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