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Os maiores especialistas em tecnologia da Igreja Adventista do Sétimo Dia estão a promover o conceito de criação de jogos para a educação e evangelização.

 

Esta ideia surgiu no último dia da Conferência da Rede Global Adventista de Internet (GAiN, na sigla em inglês), que também contou com apresentações sobre como gerir um departamento de tecnologias de informação dentro de um orçamento pré-estabelecido e sobre a visão geral da crescente popularidade e utilização da moeda virtual, como a Bitcoin.

Este ano, a conferência GAiN realizou-se on-line e contou com a participação de pessoas de mais de 100 países, perfazendo um total de aproximadamente 3800 visitantes em quatro idiomas: inglês, francês, português e espanhol.

Os organizadores do evento também deram a conhecer aos participantes o que acontece nos bastidores da produção da GAiN de 2015, um vislumbre que forneceu dicas sobre como as unidades administrativas regionais da Igreja podem realizar uma conferência on-line semelhante.

D. P. Harris, vice-presidente de sistemas de informação da Universidade de Loma Linda, iniciou a sua apresentação promovendo a criação de jogos no seio da Igreja Adventista para a educação e o ministério. “ O nosso desafio enquanto educadores é criar uma experiência de aprendizagem que seja interessante, desafiante e viável”, disse Harris. “Os jogos estão agora na vanguarda para alcançar pessoas de todo o mundo.”

A Universidade de Loma Linda organizou recentemente uma sessão de “gamestorming”, na qual os administradores convidaram os estudantes a criarem jogos que promovam uma vida saudável. Segundo Harris, a universidade está igualmente a desenvolver jogos para a formação contínua dos estudantes de Medicina e médicos do hospital universitário. No entanto, advertiu que os jogos com propósitos educativos devem conter fortes elementos de diversão ou correm o risco de ser ignorados.

Num painel de discussão, Daryl Gungadoo, engenheiro de investigação e desenvolvimento da Rádio Mundial Adventista, afirmou que a Igreja pode aprender com os erros do passado dos criadores de jogos. O popular jogo de Geografia “Onde Está Carmen San Diego?” foi adquirido por uma empresa do sector educacional, que o recriou com propósitos educativos mais evidentes. O relançamento teve resultados desastrosos. “As crianças ‘sentiam o cheiro’ a ensino a quilómetros de distância e perderam o interesse”, disse Gungadoo.

Gungadoo, que está envolvido na produção de um jogo - “Heroes” (heróis) - patrocinado pelos adventistas, referiu que a Rádio Mundial Adventista (AWR, na sigla em inglês) está atualmente a criar um jogo que ensina as operações e a engenharia da AWR. Os jogadores tentam enviar programas da mega estação da rede em Guam para países de toda a Ásia, ao fazerem refratar os sinais de rádio na ionosfera da Terra.

Segundo Gungadoo, três universidades adventistas proporcionam pelo menos um curso em desenvolvimento de jogos - a Universidade Andrews e a Universidade Adventista do Sul, nos Estados Unidos, e ainda a Universidade de Montemorelos, no México.

Um outro apresentador, Kirk Nugent, diretor de Tecnologias de Informação (TI) da Divisão África Austral e Oceano Índico, com sede na África do Sul, partilhou a sua experiência na formação e manutenção de um departamento de TI dentro de um orçamento pré-definido. “Conheçam o plano estratégico da organização”, aconselhou Nugent aos participantes, a fim de se criar soluções que possibilitem atingir os objetivos de uma administração de igreja. “Cooperem com os departamentos, percebam as suas lutas específicas, os seus desejos, os seus sonhos, e ajudem-nos a compreender o que a tecnologia pode fazer para os alcançar.”

Luke Pannekoek, diretor de TI da Divisão do Pacífico Sul, sediada na Austrália, salientou, num dos painéis de discussão, que esta Divisão criou uma solução de registo e gestão de eventos através da Internet para o Departamento de Jovens, que desde então tem sido usado para centenas de outros eventos.

A dupla também destacou o sítio da Internet  Alance, uma plataforma de conexão para os profissionais adventistas de TI que procuram oportunidades de emprego ou voluntariado.

Gungadoo fez igualmente uma apresentação sobre a moeda virtual Bitcoin. Muitas empresas estão a aceitar pagamentos em Bitcoin, ultrapassando a Western Union e até mesmo o sistema PayPal, num total anual de transferências financeiras.

A Igreja Adventista também deveria aceitar donativos em Bitcoin, sugeriu Gungadoo. Diversas empresas possibilitam transferências a baixo ou nenhum custo, disse ele. “Estou fascinado com isto, e penso que a nossa organização poderia ganhar imenso ao adotar este recurso”, comentou Garrett Caldwell, diretor-associado de Comunicação da Igreja Adventista mundial no âmbito das relações públicas.

Os missionários que levam grandes quantidades de dinheiro para zonas longínquas não teriam de transportar sacos de dinheiro, e as transferências on-line far-se-iam em segundos, em vez de horas ou dias. Existe, porém, a desvantagem da flutuação da moeda, disse Gungadoo.

Caldwell resumiu a ideia principal da apresentação de Gungadoo sobre a moeda virtual com uma afirmação que também pode resumir o objetivo de toda a conferência: “A conferência GAiN é o momento apropriado para, tanto quanto possível, lançar ideias e ver quais as que conseguem singrar”, disse ele.

Os vídeos da conferência de cinco dias, incluindo o dos bastidores do evento, serão publicados em breve no sítio gain.adventist.org.

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